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A terceira edição do evento trouxe à tona todas as vertentes do que o mercado precisa saber sobre o que há de novidade quanto aos bioinsumos.

Uma das diretrizes da nossa Linha Editorial é trazer à tona assuntos de qualidade e relevância para os nossos leitores. Mais que tendências de mercado, análises e curadoria de arquitetura e paisagismo, nossa revista tem como objetivo tratar de assuntos inerentes ao nosso modo de viver. Um deles se baseia no agronegócio.
Partindo inicialmente do nosso estado natal, Mato Grosso do Sul, tivemos a honra de participar da terceira edição do BioSSoluções para o Agro, evento pioneiro no Brasil que vem crescendo solidamente ano após ano.

Organizado pela equipe Desafios do Agro — plataforma especializada em educação, pesquisa e conexão para o mercado de bioinsumos —, a terceira edição do evento foi realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, reunindo expositores que variam de multinacionais como a Syngenta, consolidadas a startups de base biotecnológica.
O perfil do público reflete a maturidade do setor: ao lado de produtores rurais com milhares de hectares sob gestão, circulam engenheiros agrônomos autônomos, representantes de cooperativas, distribuidores regionais e pesquisadores ligados a instituições públicas.
“ O evento nasceu de uma cobrança de um dos nossos parceiros, que enxergou em nós a missão de contribuir com o setor de forma maior, de maneira que mais produtores pudessem ter acesso ao conhecimento que nós produzimos no campo dos bioinsumos, e que todas essas inovações e descobertas cheguem até o final da cadeia produtiva.” – Edson Borges, organizador do evento.
A estrutura do evento combinou área expositiva com programação técnica paralela — palestras, painéis e sessões de apresentação de resultados de campo. Não foi uma feira de produtos. Podemos considerar este, antes de tudo, um espaço de calibração técnica: onde se confrontam dados de eficácia, experiências de lavoura e perspectivas de mercado.
Para quem atua no agro do Centro-Oeste, esse tipo de encontro tem valor logístico e estratégico — concentra-se em dois dias o que levaria meses de visitas e reuniões dispersas.

Diferente dos demais eventos que participamos, o que chamou nossa atenção foi como este não se trata do volume de lançamentos ou a densidade de estandes — mas a qualidade da conversa.
O produtor que circulava pelos corredores já não pergunta “o que é um biológico”. Ele pergunta qual a janela de aplicação, qual a compatibilidade em tank mix com o fungicida que já usa, e quanto isso vai custar por hectare ao final da safra. O nível técnico da demanda subiu. E a oferta está correndo para acompanhar.
O Brasil é hoje o maior mercado de defensivos agrícolas do mundo e, dentro desse universo, o segmento de biológicos cresce em ritmo que envergonha o restante do portfólio.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o número de registros de produtos biológicos para uso agrícola mais que triplicou entre 2019 e 2023, saltando de menos de 200 para mais de 600 registros ativos. A CropLife Brasil estima que o mercado de bioinsumos no país movimentou cerca de R$ 6 bilhões em 2023, com projeção de crescimento sustentado acima de 15% ao ano até 2027.
As culturas que mais absorvem biológicos no Brasil são soja, milho, cana-de-açúcar e algodão — exatamente as que dominam a paisagem agrícola do Centro-Oeste.
Inoculantes para fixação biológica de nitrogênio lideram o volume, mas biofungicidas e bioinseticidas avançam com velocidade crescente, à medida que os produtores buscam alternativas para resistência de pragas e fungos ao arsenal químico convencional.
Dentre os 9 painéis e suas muitas ramificações, ouvimos Vitor Hugo Leite da Kynetec, que palestrou a respeito do Mercado de Bioinsumos como oportunidade para o agro. Leite ressaltou a velocidade que os avanços científicos têm chegado e como os bioinsumos aliados a químicos estrategicamente aplicados, podem aumentar a performance no campo.
“ O momento atual é de muita procura, novas soluções, conscientização dos agricultores, estudos referentes à complementação ao químico e essa visão para novos organismos e expansão da atuação nesse mercado.”
Em entrevista, o palestrante também lembrou os Bionematicidas como “ case de sucesso “ de evolução rápida:
“ Se nós olharmos para cinco anos atrás, havia apenas 20% de adoção da área, hoje este número já é de 50%”.
Ao ser questionado se há um bioinsumo que apostaria, o engenheiro agrônomo reforçou que todos estão em rápida evolução, e como não se trata de algo concentrado. “ Todas crescem numa tendência bastante agressiva”.
No entanto, revelou apostar nos bioinseticidas, considerando anos cada vez mais quentes e ciclos das pragas cada vez mais curtos em plantações de soja, milho e algodão por exemplo.



As empresas que participaram do evento estavam muito preparadas para receber os visitantes. A AFSeeds por exemplo, trouxe para o estande o produto em si, suas sementes de cobertura; apresentações baseadas em dados estruturados e até um quiz interativo.
Segundo Júlia Mendes, gestora da empresa, o tema do evento é de extrema importância e “ está na boca do produtor”. Sobre o produto ainda, ela destacou:
“ Pesquisas da Fundação MS revelam um incremento de até 10% em áreas de cultura de cobertura”.
A Syngenta, citada pelo gerente de marketing de Mato Grosso como a maior empresa de agro no mundo, destacou a importância do evento e a credibilidade dos organizadores. Ele também revelou que a multinacional tem investido em peso nas pesquisas de bioinsumos e estão trabalhando pensando no futuro do agro.
O evento também contou com o estande da renomada Ascribe Bioscience, empresa que levou como destaque o bioquímico Phytalix, amplamente discutido no mundo pela indústria. O produto induz as defesas naturais da planta, e conta com mais de 400 ensaios no Brasil e mais de 1000 mundialmente.
Em conversa com alguns dos mais de 700 inscritos, ficou claro que o evento foi um sucesso e que esperam continuar em conexão com o tema. Para Johana, desenvolvedora de produtos microbiológicos, que veio do Paraguay e participou do evento pela primeira vez, “ a programação estava incrível”.
Lucas Pimenta também veio de fora do estado, pela Ideallab Tecnologia e contou que o evento foi “bem grande, maior do que imaginava, pra ser sincero”. O participante elogia a organização do evento e destacou como a programação cobriu “ desde trabalhos científicos expostos até o acesso às tecnologias de ponta das grandes empresas do mercado de biológicos presentes”. Também citou a programação como “ extremamente interessante e o público altamente qualificado”.
Para saber mais: https://www.desafiosagro.com.br/biossolucoes26
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